Igreja Nossa Sra. do Terço

13 de julho • Igreja Nossa Senhora do Terço, Barcelos

18h00 • Concerto Polifonia Portuguesa • Programa c/ Juan Carlos Rivera

 

A actual igreja do Terço estava integrada num edifício conventual de freiras beneditinas, que se edificou em Barcelos, em 1707, por iniciativa do operoso arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles. O acesso ao mosteiro, antes da sua demolição parcial, fazia-se pelo denominado Jardim Velho, o que restou, na íntegra, da unidade conventual, foi o templo. Simples arquitectonicamente, ostenta no portal principal, posicionado lateralmente como era usual nos cenóbios femininos, frontispício que acolhe num nicho, a imagem de pedra do patrono São Bento e por baixo as armas beneditinas.

De planta longitudinal, apresenta nave única, capela-mor delimitada por arco triunfal e no lado oposto, coro alto e baixo, como era norma nos espaços sacros das comunidades conventuais femininas.

O interior da igreja traduz, em beleza singular, a mais depurada linguagem do gosto barroco, vigente no primeiro quartel do século XVIII. A exuberância decorativa do interior do templo é tributária do efeito alcançado pela combinação dos suportes azulejares que revestem integralmente as paredes, das pinturas do tecto e dos três retábulos entalhados e dourados a que se alia o majestoso púlpito.

Os painéis de azulejo figurativos, azul e branco, foram seguramente, concebidos por três mestres azulejadores: os que representam a vida de São Bento e com data de 1713 terão sido encomendados a António de Oliveira Bernardes; os que se colocaram na capela-mor, alusivos à construção do templo, à entrada solene das freiras no convento e à sagração da capela por D. Rodrigo de Moura Teles, têm a assinatura do mestre pintor de azulejo de Lisboa P.M.P; os alizares apresentam um programa iconográfico simbólico materializado em medalhões com emblemas de autoria desconhecida.

No tecto em caixotões desenrola-se, em quarenta painéis, a temática da vida de São Bento. A pintura marca igualmente presença nas telas da nave, obra que alguns investigadores associam a autoria a António de Oliveira Bernardes ou a mestres da sua oficina.

O trabalho de talha, retábulos e púlpito, exponenciam a ambiência faustosa e o aparato cénico deste interior. As máquinas retabulares terão saído das experientes oficinas de entalhador de Barcelos com intenso labor, na primeira metade do século XVIII, e que consagraram nomes como Miguel Coelho. O retábulo-mor corresponde ao primeiro período barroco – o nacional – terá sido executado no primeiro terço do século XVIII, os dois do cruzeiro, mantêm a mesma filiação estilística, mas são seguramente posteriores, de finais da década de 20 do século XVIII. Da década de 30, afigura-se o púlpito com dossel que se atribui a Gabriel Rodrigues Álvares e que terá servido de modelo a muitos outros equipamentos de pregação que se fizeram particularmente, nas igrejas do Alto-Minho.

A tutela da igreja conventual, passa para a confraria do Terço em 1846, quatro anos depois da saída das duas últimas freiras e mais de uma década após a extinção das ordens religiosas. Apesar das vicissitudes que ditaram a destruição do convento, foi possível conservar um dos mais representativos interiores da primeira fase do barroco em Portugal.

Terço Church

 

The present Terço [Chaplet] Church was originally part of a conventual complex for Benedictine nuns that was built in Barcelos, in 1707, by initiative of Dom Rodrigo de Moura Teles, the industrious Braga archbishop. Later, the monastery was partially demolished, with only its church left standing. An edifice of great architectural simplicity, its main door, placed laterally, as was usual with female convents, is topped with the Benedictine arms and, above them, a niche containing a stone image of St Benedict.

Its longitudinal plan comprises a single nave, with a main chapel circumscribed by a triumphal arch and, on the opposite side, an upper and lower choir, as was normal in the sacred premises of female religious communities.

Inside, the church is a remarkable and beautiful showcase of the most refined Portuguese Baroque art from the first quarter of the 1700s. The decorative exuberance of the temple’s interior comes from the combination of the tile compositions that fully line the walls with the ceiling paintings and the three carved and gilt retables, not forgetting the majestic pulpit.

The figurative blue-and-white azulejo tile murals were certainly the work of three separate authors: those depicting the life of St Benedict, dated from 1713, were commissioned from António de Oliveira Bernardes; the ones in the main chapel, detailing the temple’s construction, the solemn entrance of the nuns in the convent and Dom Rodrigo de Moura Teles consecrating the chapel, bear the signature PMP, which identifies a Lisbon master tile-painter; and the lower section of the walls is decorated with emblems by an unknown hand. 

On the ceiling, forty panels tell us the life of St Benedict. Painting is also present along the nave, in several canvases which some researchers have identified as the work of António de Oliveira Bernardes or his workshop.

The gilt carvings, as seen on the retables and pulpit, further enhance the opulent atmosphere and scenic qualities of this interior. The retables probably came from one of those wood-carving workshops that flourished in Barcelos during the 18th century’s first half, staffed by such names as Miguel Coelho. The main retable is an instance of early Portuguese Baroque, while the two in the crossing, though executed in the same style, are certainly later pieces, from the end of the 1720s. The canopied pulpit seems to date from the 1730s; it is probably a work by Gabriel Rodrigues Álvares and was used as a model for many others in the churches of Alto-Minho.

 

The conventual church would come into the care of the Terço confraternity in 1846, four years after the last two nuns had left the premises and over one decade after the abolition of religious orders. In spite of all the    vicissitudes that led to the convent’s destruction, it was possible to preserve of the most emblematic early Portuguese Baroque church interiors.

 

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